SAÚDE 14/09/2019 18:26

Botucatu usa a agricultura como aliada na recuperação de dependentes químicos

Flávio (agrônomo), Pablo (federação), Mário (Reage), Tom (Desafio Jovem) e Carlos Roberto (Atos 6).

Botucatu está com um trabalho de referência que poderá ser estendido para o restante do País, com as comunidades terapêuticas que usam a agricultura como meio de geração de renda, recuperação e reinserção social de dependentes químicos.

Para conhecer o trabalho desenvolvido esteve na cidade o presidente da Federação Brasileira das Comunidades Terapêuticas (Febract), Pablo Kurland.

Ele coordena 12 delegacias estaduais organizando cursos e consultorias para o trabalho desenvolvido em todo o Brasil, atuando pela implementação de políticas públicas para atender a área da dependência química.

A entidade também faz a gestão de parte do Programa Recomeço do Governo do Estado que conta com 70 comunidades terapêuticas em cidades paulistas.

"O cooperativismo, geração de renda para o acolhido é algo que nos interessa muito como federação para que possa contribuir para a continuidade da reinserção social. É algo pioneiro que está acontecendo aqui no município e também modelo para o Brasil", destacou o presidente da federação.

Ele explica que o conceito original é um tratamento voluntário. É um método que se aplica em um local, buscando a reinserção social para que a pessoa retorne à sociedade de uma maneira mais autônoma, que não fique institucionalizada e tenha ações que se vincule novamente ao seu território e ao seu ambiente de vivência.

 

GRUPO REAGE

Mário Vieira do Grupo Reage diz que a sociedade civil faz esse trabalho contínuo frente à grande demanda de pessoas que precisam de recuperação. E foi na agricultura que se encontrou a oportunidade com a Casa da Agricultura do Estado de realizar a ideia de economia solidária. "O nosso trabalho visa atender a situação econômica do acolhido. É uma maneira de ser um beneficiado contínuo nesse projeto", destaca.

O assistente agropecuário da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, Flávio Bahdur Chueire também participa do projeto das hortas. “O nosso trabalho é capacitar os acolhidos na produção das hortas agroecológicas com novas técnicas para aumentar a produção. É tudo sem agrotóxico. Estou sentindo que eles estão bastante interessados e (cada horta) está se desenvolvendo muito rápido. Falar em produção de alimentos também é saúde”, disse.

 

COOPERATIVISMO

“Espírito do cooperativismo: esse é o grande fator diferencial: a colaboração e a participação tecnológica. Por exemplo: uma pessoa leva um equipamento que gradeia a terra. É fazer a inversão e reversão de equipamento entre uma unidade e outra é muito importante. Nesse modo de trabalho também entra o companheirismo, a fraternidade e a humidade; isso é algo muito importante. Então, a forma como é conduzido o projeto é diferente porque as ações se estabelecem na cooperação. Se usarmos uma máquina hoje, amanhã vai para a outra horta. A gente tem objetivo de adquirir as máquinas em cooperativa. Começamos a fazer uma horta, depois mais outra e uma terceira e a equipe de uma vai cuidando da outra. Esse é o diferencial das ações cooperadas: uma tem as mudas e a outra planta. No final, nós colhemos todos juntos”, explica Mario Vieira do Reage.

 

SARAD

Janice Megid explica que o SARAD está ligado ao Programa Recomeço do Estado de São Paulo. Este serviço é o primeiro hospital público do Estado destinado ao tratamento e reabilitação de dependentes químicos. Ele atende a 68 municípios da região. Oferece internações para adultos e adolescentes e tratamento ambulatorial para adolescentes.

São internadas no SARAD pessoas que apresentam o uso de substâncias psicoativas em padrão de dependência e, que se colocam em risco grave (risco de vida, risco de auto ou hétero agressão, ausência de rotina da vida, etc), e não conseguem mais manter o tratamento ambulatorial.

O tratamento se dá na perspectiva da Reabilitação Psicossocial, onde além de melhorar a pessoa clinicamente e fazer abordagens à família também estimula a ampliação da autonomia e a sua troca de laços sociais.

O trabalho é importante para que a pessoa que sofre com este tipo de adoecimento possa recuperar a sua autonomia, a sua capacidade ao trabalho e a melhorar a sua autoestima.

“No SARAD planejamos diversas oficinas que possuem esta finalidade, entre elas está a horta. Estas oficinas servem para resgatar o trabalho como fonte de prazer, como ampliação de sua organização interna e externa, aumento da sua capacidade de responsabilidade e de negociação. Agora estamos expandindo para que ela possa ser realmente um trabalho gerador de renda para a pessoa”, disse Janice.

O SARAD encaminha seus paciente no momento de sua alta para a rede de assistência em saúde mental: CAPS, CAPS AD, Unidades Básicas ou Comunidades Terapêuticas.

As comunidades que o SARAD encaminha é para as que o município mantém convênios e para as do Programa Recomeço, que a mais próxima é no município de Avaré.

As internações no SARAD se dão de 3 formas: a voluntária, a involuntária e a compulsória.

“O grande desafio neste momento é ampliar a organização das frentes de trabalho que abarquem o trabalho remunerado para estas pessoas, para alguns de forma terapêutica e mais protegida, por isso que as associações e cooperativas seriam um bom desenho para este enfrentamento”, concluiu Janice.

 

DESAFIO JOVEM

O Desafio Jovem que atende dependentes em Botucatu através da filantropia pelo Instituto Ruach com 8 vagas sociais e subsídio do governo municipal de 8 mil reais por mês.

Segundo Roberto Eduardo dos Santos, conhecido como Tom, a pessoa participa ativamente do processo terapêutico e cada um tem suas responsabilidades, reuniões, e com a convivência desenvolve novo projeto de vida para encontrar autonomia e condição de ressocialização.

O tempo de recuperação pode variar de acordo com casa um. Isso vai sendo construído junto com a família para saber em qual momento pode voltar à reinserção social. Mais de 50% que saem ficam firmes, caindo esse percentual nos dois e dez primeiros anos. Importante, diz ele, é ter um projeto que acolha no pós-tratamento que vai até o fim da vida.

Das sete unidades de recuperação já existem hortas no Sarad, Ceifeitos de Última Hora, Atos Seis e Desafio Jovem.

 

(Reportagem: 14News).